Prótese de Silicone e Câncer na Mama

Infelizmente existe sim um câncer ligado à prótese de silicone, porém é uma doença rara e com elevado índice de cura como os números irão demonstrar. Em 1997 foi descrito o primeiro caso de Linfoma Anaplásico de Grandes Células associado à Prótese Mamária, também conhecida como BIA-ALCL. Apenas em 2016 é que esta doença foi incorporada a classificação de linfomas pela Organização Mundial de Saúde (WHO) como um Linfoma não Hodgkin de células T. Atualmente temos cerca de 900 relatos de casos na literatura científica, sendo que no mundo são colocados anualmente cerca de 1,7 milhões de implantes por ano, contando com cirurgias estéticas ou reconstrutivas, de modo que a incidência desta doença é pequena. É importante que o médico e a paciente saibam de sua existência para poder informar, suspeitar, investigar e diagnosticar, pois o número de cirurgias em mamas que utilizam próteses é crescente no Brasil e no mundo. Assim, pacientes podem optar se desejam colocar a prótese para sempre, por um período ou utilizar de técnicas que necessitem de prótese. A origem e evolução desta doença não está totalmente esclarecida. Sabemos que o tempo médio entre a colocação da prótese e o aparecimento de sintomas da doença é de 8 a 10 anos, o que leva aos pesquisadores a hipótese que necessitaria de uma reação crônica inflamatória local para o desenvolvimento desta patologia. Tudo indica que a BIA-ALCL está ligada a textura das próteses, macrotexturizadas de silicone ou poliuretano são a maior parte dos casos, com um número muito pequeno de casos em próteses lisas. Também é necessário que a paciente tenha uma propensão genética para desenvolver a doença. Normalmente o quadro abre com um seroma progressivo relatado pela paciente com aumento de volume da mama ou massa, e confirmado em exame de imagem tipo ultrassonografia ou ressonância de mama demonstrando seroma, espessamento capsular com ou sem nódulo e retração.

 O estudo do líquido retirado por punção do líquido feito por citologia e imunohistoquímica a procura de células que superexpressam CD 30 e não expressam a linfoma quinase  anaplásico ALC confirma a doença. Assim, é recomendado que se puncione todo seroma periprótese após 6 meses da colocação na ausência de história de trauma ou sinais de infecção local.  Feito o diagnóstico, é necessário fazer o estadiamento, exames que visam avaliar a extensão da doença. Na sua grande maioria (80 %) a doença é in situ ou restrita a cápsula formada ao redor da prótese, de modo que a capsulectomia (retirada da cápsula) é suficiente como tratamento, não necessitando de quimioterapia ou radioterapia. Em casos onde existe doença invasora que não foi possível retirar toda a cápsula faz se a complementação com radioterapia local. A quimioterapia é utilizada nos casos de doença linfondonodal axilar, pulmonar, óssea ou cerebral. Em alguns países o brentuximab vedotin que é um anticorpo monoclonal direcionado para o CD 30 está sendo utilizado como terapia alvo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *